O dia em que o budismo ganhou rostos e transformou minhas orações
Japão, 18 de outubro de 2026

Visão do interior do templo
Queridos amigos e parceiros,
Há dias que se tornam um memorial no coração. Neste tempo no Japão, vivi um desses dias — e quero compartilhar um pouco dele com vocês, que fazem parte desta caminhada. Porque foi nesse dia que o budismo deixou de ser apenas o nome de um bloco religioso não alcançado, uma estatística ou imagens distantes, e se tornou real para mim. Meus olhos viram, meu corpo sentiu.
O cheiro do incenso ocupando todo o ambiente, o som dos tambores vibrando e os mantras ecoando, em contraste com a movimentação silenciosa das pessoas pelo templo: curvando-se diante do incenso e da caixa de oferendas, juntando as mãos em prece e colocando suas moedinhas.
Do lado de fora, lavando as mãos, jogando a água, prestando reverência, pendurando suas placas votivas, amarrando suas sortes e escolhendo seus amuletos.
Não vou mais sentir o cheiro de incenso do mesmo jeito. Quando orar por esse bloco, esse cheiro vai voltar à minha mente. Assim como a imagem das pessoas acendendo o incenso na grande pira, curvando-se e trazendo a fumaça sobre a cabeça. Fazendo preces, desejando, buscando.

Placas votivas - com pedidos e agradecimentos

Altar de incenso na entrada do templo

Estátuas de Jizō, uma figura do budismo japonês considerada protetora das crianças, especialmente das que morreram pequenas ou antes de nascer.Os detalhes têm um sentido de cuidado: Touquinhas e babadores vermelhos são oferecidos pelas famílias; o vermelho simboliza proteção na tradição budista. Flores e cataventos: são oferendas que acompanham as homenagens. É um espaço tanto para lembrar os filhos que partiram quanto para pedir saúde e crescimento seguro para as crianças — o próprio templo realiza cerimônias com essas duas intenções. As estátuas são imagens de Jizō, não retratos das crianças - por isso não se pode tocar nelas.
Essa experiência também reforçou o privilégio e a responsabilidade da mobilização. Lembrei-me das palavras do Pastor e missionário Flavio Ulisses: “Precisamos não apenas enviar mais, mas enviar melhor”.
Saí de lá com muitas perguntas no coração: Como alguém que cresceu numa tradição budista lê a Bíblia e vê o mundo? Como seria uma igreja nativa nascendo entre essas pessoas, diferente e unicamente bela? Como seria a adoração que esse povo pode entregar ao Senhor? Quais barreiras precisarão ser atravessadas para comunicar o evangelho de maneira compreensível e culturalmente relevante? Que abismos precisarão ser preenchidos para que a comunidade do Deus vivo não seja algo estranho, mas orgânico?
Pensei em Paulo andando por Atenas. Com que olhos ele observava as pessoas e suas expressões de fé? Imagino sua atenção às conexões, às oportunidades de conversar e compartilhar o evangelho.
As pontes estão lá. Precisamos de olhos que realmente vejam e de um coração que entenda, disposto a encarnar a vida de Cristo entre as pessoas.
É também por isso que sou grata pela parceria de vocês. Suas orações, seu sustento e seu encorajamento fazem parte desta caminhada. Ao compartilhar essa experiência, meu desejo é que esses rostos também encontrem lugar nas orações de vocês.
Vamos orar juntos?
Pelas pessoas que seguem o budismo: para que conheçam Jesus e encontrem nele a graça, a esperança e a reconciliação com Deus.
Pela igreja no Japão: para que viva e comunique o evangelho com fidelidade, amor e sensibilidade à realidade das pessoas.
Por quem chega para servir: para que aprenda a língua e a cultura, cultive relacionamentos e tenha humildade para ouvir antes de responder.
Pela primeira turma do Perspectivas no Japão e pelo treinamento da equipe: para que esse tempo aprofunde a visão do propósito de Deus e prepare os participantes para servir.
Por nós, que mobilizamos e caminhamos em parceria: para que saibamos enviar melhor, sustentar com perseverança e orar com entendimento.
No meio de tantas perguntas e complexidades, uma certeza trouxe descanso ao meu coração: a redenção está sobre os ombros de Jesus. Ele completará a boa obra entre os povos. Sua paciência, persistência e perseverança também se revelam na história desse povo.
Ainda que nossos olhos não vejam tudo durante a nossa curta história, o Senhor fará superabundar sua graça.
E, quando eu disser novamente “Para que todos os povos O adorem”, essas palavras terão um sentido mais profundo. Novas camadas nasceram no meu coração.
Obrigada por caminharem comigo. Que essa experiência também nos ajude a orar juntos, com novos olhos e com o coração mais perto dessas pessoas.
Com carinho,
Carol

